O brigadeiro na vida do paulistano, seu consumo e as relações de hospitalidade

Autores: Aline Risatto, Cindy Sinigoi e Vinicius Rodrigues Thomaz

Resumo

O brigadeiro surgiu em meados de 1945 durante as eleições para a presidência de república, quando as eleitoras do candidato Brigadeiro Eduardo Gomes preparavam o quitute e serviam em festas e eventos com o objetivo de arrecadar recursos para sua campanha. No entanto, a receita apenas se popularizou quando ao longo dos anos, se tornou presença obrigatória nas mesas de festas infantis. Ao longo dos anos o brigadeiro teve sua produção expandida para a indústria, sendo oferecido em versão enlatada ou confeitado, representando até hoje o maior volume de vendas entre os itens de doçarias do País. Aos poucos, o docinho adquiriu nova situação de consumo com as versões para se comer “de colher” e as gourmet. Esta última, consiste na tendência da releitura da receita tradicional do brigadeiro com a adição de ingredientes que conferem características de preparação e apresentação sofisticadas.

Este trabalho foi desenvolvido a partir da curiosidade dos pesquisadores em conhecer o habito de consumo do tradicional doce no dia a dia do paulistano e também é parte integrante de levantamento de dados para o desenvolvimento de dissertação para programa de mestrado e pós-graduação. O artigo possui o objetivo geral de compreender o consumo do brigadeiro no dia a dia do morador da cidade de São Paulo. Para isso, estabeleceram-se os objetivos específicos que são: desenvolver uma reflexão sobre sua influência na criação de relações de hospitalidade sob a perspectiva dos conceitos do comfort food; estudar a tendência do consumo do doce após o movimento de “goumetização” sofrido pelo mesmo e verificar se o consumo do brigadeiro ocorre por possível sentimento nostálgico.

Com os objetivos definidos, surgiu a problemática trabalhada que é: Atualmente, de que forma ocorre o consumo do brigadeiro pelos moradores da cidade de São Paulo? De acordo com a problemática apresentada, os pesquisadores consideraram as seguintes hipóteses: (H1) O brigadeiro é um alimento que auxilia o estabelecimento de relações de hospitalidade por meio dos conceitos do comfort food; (H2) O movimento de gourmetização sofrido pelo brigadeiro aumentou sua popularidade; (H3) O brigadeiro é consumido como uma opção de alimento doce, não havendo influência do possível sentimento nostálgico que o mesmo é capaz de proporcionar.

A metodologia adotada pelos pesquisadores é de um estudo descritivo e analítico, desenvolvido através de levantamentos bibliográficos de livros, revistas, periódicos, artigos e dissertações além de pesquisa quantitativa.

O resultado parcial desta pesquisa revelou que a maioria dos entrevistados consome o brigadeiro de panela com o objetivo de satisfazer a própria necessidade de consumir um alimento que traga um certo conforto, seja ele através da indulgencia ou de um resgate nostálgico.

Por fim, notou-se a relevância deste estudo para a compreensão da influência de preparações tradicionais em nossa gastronomia, neste artigo tratado, o brigadeiro como fator que potencializa as relações de hospitalidade, sob a perspectiva da comensalidade, através da aplicação dos conceito de comfort food.

Palavras-Chave: Hospitalidade, Brigadeiro, Consumo, Gourmet, Comfort Food.