O agroturismo como renda alternativa para pequenos produtores de bebidas alcoólicas: uma análise do Vale do Paraíba e da cidade de Pão Roque/SP

Autor: Rafael C. Ferro

Resumo

Apesar da influência na economia brasileira, os pequenos produtores enfrentam grandes dificuldades no mercado. Mesmo vivenciando esse momento, eles continuam mantendo suas atividades, acreditando na qualidade das produções e na diferença no bem-estar do consumidor. Nos dias atuais, a mobilização cultural dos consumidores acerca da importância dos produtos desses produtores é quase um manifesto contra a cultura de consumo industrializada. A partir dessa ligação produtor-consumidor, outros interesses e atividades se tornam possíveis, como é o caso do agroturismo. Esse tipo de atividade turística é caracterizada pelas visitas a agroinstalações, acompanhamento dos processos de produção e aquisição de produtos direto do produtor. Um bom exemplo entre turismo e a experiência de consumir um produto direto de sua origem é o enoturismo. Ele procura entender como as regiões produtoras de vinho podem utilizar as ações turísticas a favor do desenvolvimento dos empreendimentos e suas localidades. Com o mercado de bebidas em ascensão no Brasil, outras bebidas alcoólicas surgem nos interesses dos turistas, como Cachaças e Cervejas artesanais. Mesmo com o aumento no consumo destes produtos a cada ano, os produtores de bebidas alcoólicas ainda são, na sua maioria, classificados como pequenos agronegócios e, por este motivo, sofrem com a mesma instabilidade financeira e econômica. A pesquisa teve como objetivo principal analisar as potencialidades turísticas desses pequenos agronegócios de bebidas alcoólicas e estudar a utilização do turismo como ferramenta alternativa de renda financeiramente viável para esses empreendimentos. O trabalho utilizou pesquisa exploratória descritiva e avaliativa com objetivo de observação sistemática das condições físicas e do potencial histórico ou cultural dos negócios. As ações de mercado, turismo e comunicação de cada empreendimento foram coletadas a partir de entrevistas semiestruturadas com os proprietários. Um questionário misto foi elaborado a fim de traçar o perfil dos possíveis turistas. Cerca de 74% das vinícolas são adeptas à utilização do turismo. Os dados apontaram que 50% das microcervejarias e 36% dos alambiques praticam ações turísticas. Dentre os que utilizam o turismo, 90% afirmam influência positiva na renda do negócio. Os proprietários que não fazem uso do turismo assumem ter pouco conhecimento sobre o mercado devido ao porte familiar do negócio. Os possíveis turistas alegam ter “muita curiosidade” de conhecer os empreendimentos em questão (83%), muitos inclusive já tiveram experiências com enoturismo (42%). Os dados da pesquisa apontam um cenário positivo no processo turístico em pequenos negócios produtores de bebidas alcoólicas. Os alambiques e microcervejarias também possuem grande potencial turístico, assim como vinícolas, por apresentarem um ambiente rico em história e cultura. Esses mesmos empreendimentos podem se basear no enoturismo para direcionar seus investimentos em infraestrutura organizacional e ações turísticas. O agroturismo, mesmo que em pequenas instalações, é uma ferramenta viável, de pouco investimento e, portanto, uma alternativa de renda para esses produtores.

Palavras-Chave: Agroturismo, bebidas alcoólicas,  agronegócio familiar.