Perda da soberania alimentar: feijão made in…

Autores: João Batista Villas Boas Simoncini, Frederico Cid Soares, Cesar De David, Yury Tom Keith Ferreira Feliciano.

Resumo

O texto tem como objeto de análise a produção e o consumo de um dos principais ingredientes da mesa do brasileiro: o feijão. A discussão trata de sua importância histórica, socioeconômica, cultural e versatilidade na gastronomia. Problematiza-se ainda, a falta de incentivo à produção nacional dessa leguminosa na atualidade.

Objetivo

Compreender a trajetória da produção e consumo do feijão no Brasil nas últimas décadas, demostrando sua importância e versatilidade na gastronomia brasileira.

Fundamentação teórica e metodológica

Para estruturação e fundamentação teórica do trabalho foram utilizadas referências bibliográficas de diversas áreas do conhecimento, Saint-Hilaire (1975), Mello e Souza (2010), Cascudo (2004), Holanda (1960), Barbara (2005), Ferreira; Del Peloso; Faria (2002), Ferreira (2001), Freira Filho (2011), Lüders (2013), Petrini (2009), Porto-Gonçalves (2006), Souza (1996). Os dados foram retirados das seguintes fontes: Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAOSTAT), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMPRAPA Arroz e Feijão), Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e Centro de Inteligência do Feijão (CIF).

Considerações finais

Reconhecer a importância do feijão como alimento básico na mesa do brasileiro e sua versatilidade na cozinha regional é um avanço para mudanças nas políticas públicas de incentivo e apoio a esse tipo de cultura no Brasil.

Pode-se afirmar que existem muitas dúvidas e inseguranças para todos os envolvidos na cadeia produtiva do feijão. De acordo com estudiosos do assunto supra citados, para reverter essa situação são necessários investimentos sistemáticos na cadeia produtiva e de circulação e consumo. Algumas ações são consideradas prioritárias e serão aqui apresentadas separadas para melhor compreensão. Na produção: melhoramento genético e da engenharia de alimentos para agregar valor ao grão pelo incremento de suas qualidades funcionais e nutricionais, detalhar a sequência das safras nas regiões produtoras, monitorar e automatizar a produção, aproximar os produtores das diversas regiões através de feiras, oficinas, cursos, congressos, com a troca entre as instituições de pesquisa e produtores. No consumo e circulação: explicitar os mecanismos funcionais e nutricionais através de campanhas publicitárias, estimular instituições para estudar e acompanhar o mercado continuamente, entender como as regiões se relacionam, e também a formação do preço e a ação do governo.

A cultura do feijão propicia uma boa discussão e entendimento do conceito de soberania alimentar e da dimensão simbólica desse alimento, entendido como um dos elementos de organização social, pois desenvolve-se na perspectiva da valorização dos saberes tradicionais (manutenção e guarda das  sementes crioulas), da sustentabilidade socioambiental e das relações familiares e comunitárias, pautas prioritárias da Agroecologia, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, da Via Campesina e do Movimento Slow Food.

O feijão materializa-se através de elaborações regionais em diversos pratos: feijoada, feijão tropeiro, virado à paulista, tutu à mineira, dobradinha, baião de dois, feijão mexido (mexidão), acarajé, arribação, etc. Vale ressaltar que a universalidade dessa leguminosa contribui na formação da gastronomia brasileira.

Palavras-chave: feijão, produção alimentar, soberania e segurança alimentar, gastronomia.