Autores: Elaine Gamberini Silveira, Débora Preceliano de Oliveira, Marli Arronque Borro, Sílvia Passos, Sophie Von Oertzen, Roseli Espíndula Balchiunas
Resumo
A insuficiência cardíaca crônica (ICC) se caracteriza por ser uma síndrome clínica complexa, que se inicia com um evento que lesa o coração com consequência da redução de sua capacidade de bombeamento, diminuindo a adequada oferta de oxigênio aos tecidos. As consequências acarretadas aos seus portadores incluem limitações de atividade física, restrições dietéticas e perda da qualidade de vida. A restrição de líquidos e de sódio, até hoje, continua sendo uma das bases do tratamento dietoterápico do paciente com ICC. Embora a ingestão reduzida de sódio seja amplamente defendida na ICC, pode estar associada à desnutrição devido a pouca palatatividade da dieta. Atualmente, a busca para aliar a prescrição dietética e as restrições alimentares às refeições atrativas, está fazendo com que a visão da dietoterapia seja ampliada e adaptada às tendências gastronômicas, sendo um desafio que exige aprimoramento técnico e assistência nutricional individualizada. Diante desta problemática, foi desenvolvido estudo observacional transversal, no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor), que serviu de base para a construção deste trabalho. O objetivo foi desenvolver uma proposta gastronômica utilizando ingredientes frescos, de baixo custo e fácil acesso com características adequadas aos portadores de ICC. Dessa forma, a consistência de dieta branda foi estabelecida para a preparação com a finalidade de facilitar o trato digestivo e poupar função cardíaca. O prato elaborado foi uma entrada, (Sopa Creme de Abóbora) com testes realizados no laboratório de técnica dietética do SENAC. Ingredientes utilizados: abóbora Cabotian, cebola, alho, gengibre fresco e água. A abóbora é denominada hortaliça; em sua composição nutricional é encontrado carboidrato, proteína, pouca gordura, cálcio, sódio, potássio, ferro, magnésio, vitamina A, C, E e outras. O resultado da análise sensorial da preparação realizada pelo grupo foi unânime, a abóbora possibilitou uma consistência leve e cremosa, não residual de fácil ingestão, com sabor levemente adocicado suprindo a ausência de sal. O gengibre acrescentou “frescor” à preparação, o que minimizou a sensação de “sede”, queixa comum entre os portadores de ICC. O aspecto visual da preparação também foi positivo devido à cor alaranjada que a abóbora apresenta. Após a elaboração deste trabalho, considerou-se possível aliar a prescrição dietoterápica à elaboração de pratos mais atrativos e adequados do ponto de vista sensorial, utilizando-se de produtos frescos da agricultura local contribuindo para a melhora da aceitabilidade da dieta e consequentemente o estado nutricional do paciente.
Palavras-chave: Insuficiência cardíaca, dietoterapia, gastronomia hospitalar.