Doce que te quero doce: uma proposta de intervenção

Autores: Simone de Lira Almeida, Alexandre César Batista da Silva, Isabela Andrade de Lima Morais, Maria de Lourdes de Azevedo Barbosa, Mariana Cavalcanti Falcão de Albuquerque, Thiago das Chagas Lima e Thiago das Chagas Lima.

Pernambuco, que têm nos doces, uma grande tradição gastronômica, ainda preservada em algumas comunidades remanescentes de mulheres prendadas. Dentre estas, destaca-se a de Vila Velha, na Ilha de Itamaracá. A comunidade encontra-se no ponto mais alto da Ilha, que fica à 50 km do Recife, e tem aproximadamente 587 moradores. Há cerca de 27 anos, foi criada a Associação das Doceiras de Vila Velha para capacitar mulheres da comunidade a prepararem doces de frutas.

O doce da passa de caju tornou-se o mais conhecido e passou a ser o carro chefe da Associação, sendo reconhecido como característico da ilha. Atualmente, a Associação encontra-se desarticulada, pois das 22 associadas, restam apenas duas – mãe e filha. E o doce de passa de caju, que um dia foi o símbolo gastronômico e, portanto cultural de Itamaracá, poderá acabar.

Com o objetivo de ajudar estas doceiras, um grupo de professores da UFPE em parceria com o Slow Food criou um projeto de extensão chamado “Doce que te quero doce”. O projeto, baseado nos pressupostos de economia criativa – inovação, tecnologia, design e sustentabilidade – o buscou reestruturar as atividades da Associação de doceiras de Vila Velha por meio da valorização dos saberes gastronômicos locais atreladas à possíveis “novas” formas de se trabalhar e pensar o doce de passa de caju.

Palavras-chave: Economia Criativa; Cultura; Gastronomia; Passa de caju.

Objetivo Geral

Reestruturar a tradicional confecção de doce de passa de caju, em Vila Velha, por meio de consultoria, assistência técnica e fomento ao associativismo.

Objetivos Específicos

Diagnosticar os principais problemas que impedem o desenvolvimento do negócio;

Difundir com as doceiras os conceitos de economia criativa, associativismo e empreendedorismo;

Oferecer consultoria às doceiras associadas de Vila Velha sobre identidade cultural, marketing, segurança alimentar e finanças;

Desenvolver uma marca para a Associação e uma embalagem para o doce de passa de caju;

Metodologia

A metodologia foi de pesquisa-ação e foi dividida em três momentos: O primeiro foi o diagnóstico por meio de visitas guiadas por roteiro de observação, fotos e entrevistas com as doceiras. O segundo momento foi o plano de ação –  onde foi definido qual seria a metodologia de intervenção apropriada. E a execução do projeto como oficinas sobre identidade cultural, produção de novos produtos, segurança alimentar e finanças; produção de filme e concepção e criação da marca e da nova embalagem para a passa de caju.

Resultados

Os resultados alcançados foram a capacitação das Doceiras da Associação de Vila Velha que participaram das quatro oficinas supracitadas. Foi produzido um filme curta-metragem sobre a produção da passa de caju que será usado para a divulgação do doce. Ademais foi criada uma identidade visual para a Associação das Doceiras e para a passa de caju. Por fim foi desenvolvida uma nova embalagem para o doce com vistas a agregar valor ao produto conforme figura 1.

Considerações Finais

O projeto contou com uma equipe multidisciplinar que usou a criatividade, o ativo intelectual e o conhecimento como principais recursos para melhoria da produção e distribuição da passa de caju e como projeto de extensão cumpriu o seu papel de estabelecer relação entre ensino, pesquisa e extensão e atingiu os objetivos inicialmente propostos de desenvolver competências empreendedoras nas doceiras. Resta o desafio de dar continuidade ao projeto e criar uma demanda capaz de sustentar a associação e atrair mulheres mais jovens para o ofício.