Autores: João Batista Villas Boas Simoncini, Cesar De David e Luciano Carvalho Machado
Resumo
O presente trabalho tem como objetivo explicar o processo de produção do queijo Canastra, apresentando seu atual processo de fabricação, bem como os fatores que resultaram, recentemente, em um embate científico, jurídico e econômico em torno deste produto. Buscou-se, ainda, mostrar a versatilidade do queijo Canastra na gastronomia. Neste sentido, é importante ressaltar que a produção do queijo Canastra, considerado patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Instituo Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG) pode ser considerada como um dos fatores de organização social, resistência cultural e de manutenção e permanência dos produtores familiares no espaço rural da microrregião da Canastra no estado de Minas Gerais.
Palavras-chave: Queijo Canastra; patrimônio imaterial; produção familiar; gastronomia.
Objetivo
Explicar o processo de produção do queijo Canastra, apresentando resumidamente suas etapas de produção e abordando a questão da sua versatilidade na gastronomia.
Fundamentação teórica e metodológica
Para estruturação e fundamentação teórica do trabalho foram utilizadas referências bibliográficas de diversas áreas do conhecimento, valendo-se ainda de publicações e dados secundários tais como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMPRAPA Gado de Leite), Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (EMATER/MG), Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG), Associação dos Produtores de Queijo Canastra (APROCAN) e Associação dos Produtores de Queijo Canastra de Medeiros (APROCAME).
Considerações finais
Pode-se afirmar que o queijo Canastra, ao configurar-se como patrimônio cultural imaterial, traz consigo todo um conhecimento incutido na “arte de fazer”, passado de geração em geração, materializando-se no “saber fazer” (elemento principal da caracterização de um terroir). Ressalta-se que a sua produção, ao constituir-se como um dos elementos que configuram a organização social local, contribui com a geração de renda e emprego, funcionando como fator econômico positivo não só em escala local, mas também regional e nacional. Acrescenta-se a estes aspectos, o fato de que a produção do queijo Canastra contribui para o estabelecimento e manutenção de questões simbólicas, responsáveis pela (re)produção cultural e, o mais importante, configura-se como possibilidade de permanência dos produtores no meio rural.